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Educação

Violência contra a mulher – Por Juliana Tavares

No mês que colocado para reflexão da saúde da mulher e a luta contra o câncer de mama, o IGS Web traz um texto para refletir um aspecto que tem sido um mal persistente e que afeta de forma cotidiana milhares de mulheres. Leia:

Durante todo o processo evolutivo da história, e especificamente o papel da mulher na sociedade, vemos que desde os primórdios até séculos bem próximos a mulher foi percebida como objeto e reprodutora, apenas. Por muito tempo a mulher foi banida da sociedade de forma cruel e devastadora. Tantas eram as restrições de sua participação na sociedade que em determinadas culturas como a Grécia, por exemplo, as mulheres eram submissas aos homens, e não podiam participar dos jogos promovidos por aquela civilização. Na cultura judaica, por exemplo, se a mulher estiver menstruada não pode adentrar ao Santuário, e o lugar onde ela se assenta ninguém pode sentar por julgar impuro. E em outras culturas ainda nos dias atuais a mulher não tem o DIREITO de escrever sua própria história, pois os pais é quem decide desde a escolha do marido até permitir se ela pode ou não estudar, entre outras objeções. Em nosso país somos “livres”, escrevemos nossa história, e mesmo assim ainda há mulheres que são agredidas, desrespeitadas, e até mortas por seus parceiros. Pasmem, mas isso não é relato histórico da Idade Média, mas fato constante nos dias de hoje, em pleno século XXI em nossa sociedade considerada democrática, crítica e esclarecida. Diante de tudo isso e mais outras questões, me questiono: O que representamos para essa sociedade brasileira, onde o crime de feminicídio chega a quase 05 mortes por 100 mil mulheres ao ano?

            A violência contra a mulher é real, constante e frequente a todo momento, independente de cor, credo ou classe social. Em 2006 surge o aparato legal na forma da Lei Maria da Penha nº 11.340 de 07 de agosto de 2006, criada para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Essa Lei busca proteger a integridade e vida da mulher, e ao mesmo tempo intimidar o agressor através de suas penalizações. Sendo assim até que ponto esta Lei se efetiva e dar segurança a inúmeras mulheres que sofrem agressão e são mortas todos os dias no nosso país? Precisamos refletir sobre essas questões para que possamos lutar contra uma sociedade que pasme, ainda nos enxerga como ser inferior, submissa e sem direito de nada, a não ser somente o de ficar calada.

            Analisando os discursos feitos referentes ao avanço e conquista da mulher na sociedade, sempre quem o faz se remete com veemência ao direito que nós adquirimos em votar, como se isso fosse nossa maior vitória. Não estou aqui negando a importância desse direito em ir às urnas e eleger um candidato, mas se faz necessário uma reflexão de tantos outros direitos que temos, e que nos são negados e pouco percebidos porque vivemos numa sociedade onde o preconceito é camuflado, disfarçado. Quantas vezes eu e você mulher que está lendo esse texto passamos por situações constrangedoras, e nos matemos caladas, omissas porque temos medo de denunciar, rebater? Me refiro não apenas a agressão física, mas agressão verbal, moral, emocional e psicológica que ao meu ver não se diferencia de nenhuma outra, é a mesma violência, produz o mesmo dano.

"Quando na verdade deveria se ter uma mobilização diária de conscientização e reflexão de que independente do estado de vulnerabilidade que a mulher esteja, ou o que esteja vestindo não dá direito do outro molestar, ou sequer tocá-la sem consentimento" (Juliana Tavares).

Imagem do site Olá Bahia

Lamentável como ainda somos vistas pela sociedade, e pior quando algumas mulheres justificam à cultura do estupro só porque a garota estava bêbada ou porque estava vestindo uma roupa curta, considerada “vulgar”. Triste mesmo é só haver campanhas nacionais nesse sentido quando alguém midiático passa por uma situação referenciada acima. Quando na verdade deveria se ter uma mobilização diária de conscientização e reflexão de que independente do estado de vulnerabilidade que a mulher esteja, ou o que esteja vestindo não dá direito do outro molestar, ou sequer tocá-la sem consentimento.  

            Se faz urgente a discussão e ações que despertem para a valorização da mulher de modo geral. Surgiu um movimento denominado Feminismo que na sua base ideológica busca trazer à tona da sociedade o direito da mulher sobre si mesma, dona de si e de sua atuação nos diversos espaços que está inserida. Claro que muitas pessoas desprovidas do real conhecimento se aproveitam e partem para o exagero, com isso maculando o nome do movimento. É pertinente nos questionarmos e rever nosso comportamento diante dessa sociedade. Até que ponto eu me permito aceitar situações que me inferiorizam e faz com que eu seja mais uma na estatística das mulheres silenciadas?

            Dessa forma é importante que você mulher entenda que não é culpa sua ser agredida, humilhada, maltratada, mas que isso é o reflexo de uma sociedade covarde, egoísta e machista, onde infelizmente a Lei não acontece de fato, gerando com isso o sentimento de impunidade tanto no agressor como no agredido. Precisamos nos colocar no mundo de forma crítica e atuante, para que nos vejam e aprendam a nos respeitar. Temos o direito a dignidade e integridade, entendendo que agressão não se limita apenas a um tapa, mas a todo ato que nos põe em uma condição desprezível na totalidade de ser humano.

Juliana Tavares

Página:

http://igsweb.com.br/noticia/educacao/2017/10/09/violencia-contra-a-mulher-por-juliana-tavares-/380.html