Economia

Concentração de renda volta a crescer no Brasil em 2018, diz IBGE

Publicado dia 17/10/2019 às 02h51min | Atualizado dia 28/10/2019 às 00h01min
Índice que mede desigualdade subiu depois de permanecer estável por dois anos e foi o maior desde 2012. Rendimento do grupo de 1% mais ricos cresceu 8,4, já o dos 5% mais pobres caiu 3,2%

Num quadro de lenta retomada econômica e elevado desemprego, o Brasil colheu mais uma notícia negativa ano passado: a concentração de renda voltou a piorar e o índice que mede a desigualdade foi o maior da série histórica, iniciada em 2012.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (16) e têm como base a Pesquisa Mensal por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua.

Os números do IBGE mostram que o rendimento médio do grupo 1% mais ricos do país cresceu 8,4% em 2018, enquanto o do 5% mais pobres caiu 3,2.

No ano passado, o índice Gini, que mede a concentração e desigualdade de renda, subiu para 0,509, depois de ficar estável nos dois anos anteriores, quando foi de 0,501. O número é o maior da série iniciada em 2012, e leva em conta o rendimento médio dos brasileiros para todos os trabalhos.

“Historicamente, o Brasil é um país onde a desigualdade é uma das piores. Sabemos que é um país com maior concentração de rendimento, talvez fica entre os 10 maiores”, afirma a gerente da PNAD Contínua, Maria Lúcia Vieira.

O índice de Gini varia de zero a 1. Quanto mais próximo de zero, mais perfeita é a distribuição de renda de um país. Quanto mais perto de 1, mais desigual é a economia. Ao longo dos últimos anos, o melhor resultado para o índice de Gini foi observado em 2015, quando marcou 0,494.

“Essas variações no índice de Gini têm muito haver com as flutuações na renda dos mais ricos”, diz a analista do IBGE, Adriana Beringuy.

Índice de Gini

Foto: Arte/G1

No recorte regional, apenas o Nordeste não registrou uma piora na desigualdade no ano passado. O índice de Gini nordestino marcou 0,520, abaixo de 0,531 apurado em 2017. Segundo o IBGE, no entanto, a desigualdade de renda no Nordeste só recuou porque os brasileiros com maior rendimento na região tiveram perdas.

Apesar da melhora, a região nordestina seguiu ostentando os piores números de concentração de renda do país. Depois do Nordeste, aparecem Norte (0,517), Sudeste (0,508), Centro-Oeste (0,486) e Sul (0,448).

Índice de Gini por região

Foto: Arte/G1

 

A pesquisa divulgada pelo IBGE é mais uma a captar o aumento da concentração de renda no país diante da deterioração do quadro econômico dos últimos anos. Em agosto, a Fundação Getúlio Vargas divulgou um estudo que apontou que a desigualdade cresce há 17 trimestres seguidos.

Fonte: Luiz Guilherme Bergelli/G1


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