Educação

Um novo olhar sobre Ideologia de Gênero – Por Raul Pinheiro

Publicado dia 05/12/2017 às 15h08min | Atualizado dia 05/12/2017 às 15h22min
Projeto de Lei número 001/2017 foi aprovado em Águas Belas na última sexta-feira (01), que proíbe a aplicação da ideologia de gênero nas escolas públicas e privadas do município. Mas uma pergunta deve ser respondida: o que é Ideologia de Gênero?

Na última sexta-feira (01/12), foi aprovado o Projeto de Lei número 001/2017, que proíbe a aplicação da ideologia de gênero nas escolas públicas e privadas do município de Águas Belas.

- Venho acompanhando as ações dos vereadores eleitos pelo povo da nossa cidade.

- Eu pergunto! A sociedade foi consultada? Algum professor/Diretor foi consultado? Algum Psicólogo? Foi feito algum estudo em nossa cidade para verificar se seria possível esse tipo de ensino aos nossos Jovens? Ou simplesmente o projeto foi apresentado e votado na surdina?

 

Vamos explicar melhor o que é Ideologia de Gênero

“Primeiro vamos pensar o que é escola. É o lugar onde a gente estuda? Ok! Também! Mas é o lugar onde você faz amigos, onde você se diverte, onde você fofoca, ri, recebe advertência. A escola é um espaço para ser livre, para aprender a conviver, entender deveres e direitos, é o primeiro momento da sua vida onde você experimenta a sociedade, é o lugar ideal para que se comece a aprender a respeitar, entender e conhecer as diferenças. A gente sabe que a função da escola é tirar duvidas das crianças, tentar fazer a criançada refletir sobre alguma coisa, mas de uma forma didática, ensinar coisas que muitas vezes a família não tem preparo pra explicar, todo tipo de duvida deve ser assunto da escola, desde como nascem os bebês, “o que é que acontece quando a gente morre”?”, “qual a diferença entre menino e menina?”, “o que é sexo?”.

Uma serie de pergunta louca que toda criança cedo ou tarde vai fazer pra alguém, o problema é que para muitas dessas perguntas à sociedade já impôs uma resposta, às vezes antes mesmo da gente nascer o povo já decide. É menino? Vai gostar de azul, vai ser corintiano, jogador, marrento e azarar todas as menininhas. É menina? Vai ser meiga, gostar de rosas, fazer balé, adorar as princesas da Disney, quietinha e boazinha.

Mas quando se trata de gênero, a escola não deve reforçar esses preconceitos que a sociedade já impõe, afinal ser menino ou menina não se restringe a ter essas características tão pobres da nossa cultura.

 Perceberam que a gente esta falando de gênero ate agora e ninguém precisou falar de Gay, de trans., de Hetero?

 Falar de Gênero é falar daquela menina que quer jogar futebol, mas que vai ser zoada porque futebol não é coisa de menina, ou saber lidar com aquele menino que quer fazer dança, quer fazer teatro, mas não pode não é gente, afinal isso é coisa de menina né. Isso vale pra tudo quanto é coisa. E se em caso um comportamento que fuja um pouco desse padrão que a sociedade já é visto com maus olhos, na escola onde a criança deveria ser acolhida, compreendida e ensinada a se amar, a se aceitar e aceitar os outros, muitas vezes lá mesmo elas são repreendidas por serem diferentes, porque é realmente complicado lidar com questões de gênero e sexualidade dentro da escola e ainda mais com crianças, a questão é que em longo prazo isso vai sendo tão prejudicial que a gente acaba nem se dando conta, a gente vai criando seres humanos cada vez mais distantes uns dos outros, que começamos a desunir as pessoas desde quando elas são pequenininhas.

Tipo, “olha, não se misture com essa gentalha querida”, dai você cresce querida, casa com um marido que não lava a louça porque não é coisa de homem ou com uma mulher que não quer aprender a trocar um pneu porque isso não é coisa de mulher. Essas pessoas cresceram ouvindo o mundo dizer que essas funções não são do gênero delas, ai vai da no que deu não é.

Perceberam como a questão de gênero esta em toda casa desse país gente. Mas Raul, se falar sobre esse assunto na escola, não vai despertar o interesse das crianças em ser Gay, Lésbica, Trans... NÃO! Se a criança for falar sobre esses assuntos vai fazer com que elas se aceitem mais, trazendo amor próprio e alto estima. E se a criança não for gay, lésbica, trans, falar sobre esses assuntos vai fazer com que ela aprenda a respeitar as diferenças e saber lidar com amiguinhos que são diferentes dele, mas que é tudo gente, e todo mundo pode ser feliz junto. E é muito importante que a gente perceba o quanto antes que falar sobre gênero vai muito além de falar de homofobia. Essa é apenas uma parcela dessa questão, discutindo gênero a gente também fala de sexíssimo, fala de marxismo, sexualidade, todos esses tabus que surgem no cotidiano de todo cidadão mas que a família finge que nada esta acontecendo. Alguém precisa esta preparado para instrui e  esclarecer sobre tudo isso, e ninguém melhor do que os nossos professores, tratar a questão de gênero que deve sim ser discutida por todos, nas escolas e nas famílias, é tratar de direitos humanos, buscando igualdade, união e respeito para toda a sociedade.

 

A presente lei, aprovada na Câmara de Vereadores de Águas Belas-PE, Viola direitos constitucionais, previstos nos seguintes artigos da constituição federal:
Art. 5º, Art. 205, Art 206 e Art. 227.


A lei em questão também reforça a perpetuação do preconceito e a violência contra a mulher, homossexuais e transexuais, já que impede que o assunto seja debatido nos espaços educacionais do município. Dados publicados pelo Diário de PE, onde informa que houve um aumento de + 6,59% na média diária de violência contra a mulher em comparação com setembro.


Em decisão sobre um projeto de lei parecida o ministro Luís Barroso do STF tomou a seguinte decisão:
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar em Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 461) para suspender dispositivo de lei de Paranaguá (PR) que proíbe o ensino sobre gênero e orientação sexual nas escolas do município. Em sua decisão, o ministro considerou plausíveis as alegações trazidas nos autos, bem como estar configurado o perigo de demora, uma vez que a norma impugnada “compromete o acesso imediato de criança, adolescentes e jovens a conteúdos pertinentes à sua vida íntima e social, em desrespeito à doutrina da proteção integral”.

A educação é o principal instrumento de superação da incompreensão, do preconceito e da intolerância que acompanham esses grupos ao longo de suas vidas. “Impedir a alusão aos termos gênero e orientação sexual na escola significa conferir invisibilidade a tais questões. Proibir que o assunto seja tratado no âmbito da educação significa valer-se do aparato estatal para impedir a superação da exclusão social e, portanto, para perpetuar a discriminação”.

Indentidade de Gênero

Fonte: Arquivo

Fonte: Raul Pinheiro


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