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Opinião: A “cura gay” – Por Ildebrando Gutemberg

Publicado dia 19/09/2017 às 15h24min | Atualizado dia 29/09/2017 às 21h23min
Assunto tem sido tema de grande debate nas redes sociais e no cotidiano das pessoas, e alguns questionamentos deve ser feitos. Leia:

O assunto com relação a “cura gay” é bem mais sério do que algumas “brincadeiras” que alguns estão realizando nas redes sociais, se observarmos de um ponto de vista mais amplo, trata-se de um atentado contra o direito individual, onde se alguns acreditam que ser homossexual é uma questão de comportamento e, portanto, seria uma escolha do indivíduo, discursos destes mesmos indivíduos que acreditam nesta cresça torna-se contraditório ao apontarem uma “cura”, pois aí seria uma patologia e não um comportamento propriamente dito?

Um segundo ponto interessante para se avaliar é que os mesmos que propõem a “cura gay” são aqueles que defendem uma menor presença do Estado, principalmente na vida do indivíduo. E se o Estado age de forma direta sem consulta ou um pacto social que legitime e se convencione pelos órgãos responsáveis por estudar a fundo patologias, tornar um comportamento uma doença, isso pode ser entendido como uma afronta aos direitos e liberdades individuais?

Neste aspecto, o ato de liberar a “cura gay” pode até ser considerado algo subterfúgio, mas que reflete a retórica crescente do pensamento extremista de intervenção na liberdade individual em voga no Brasil, vide por exemplo o crescimento de discursos de apoio a ditadura e de cerceamento de direitos, ou do próprio comunismo real.

Lógico que mesmo a ação judicial que promoveu todo esse debate tendo sido movida por uma psicóloga contra o Conselho Federal de Psicologia, não aponta que aquela tinha total razão em detrimento de uma instituição a qual a mesma faz parte, ou vice e versa. Para uma decisão mais acertada, é necessário que se haja um debate mais amplo e que envolvidos estejam abertos ao diálogo amplo e irrestrito. Sem extremismos sejam estes religiosos ou políticos. Onde prevaleça o conhecimento técnico científico ao invés de dogmas de opinião. O respeito é fundamental, e para que exista respeito se faz necessário o conhecimento e a educação.  

Neste sentido também é necessário observar a opinião e atuação dos psicólogos que estão abertos a prestar apoio profissional aqueles que procuram por tal atendimento, e como será esse apoio. O respeito a liberdades tem e deve prevalecer, e nisto a liberdade científica e daqueles que procuram tal atendimento também devem estarem incluídas?

As divergências estão postas, e para isto o diálogo e a reflexão são necessários.

Por Ildebrando Gutemberg

Ildebrando Gutemberg é diretor do IGS Web, radialista, jornalista, fotógrafo, é graduado em Geografia pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco, cursando pós-graduação em Gestão Pública pela mesma instituição. Formado no curso de Teologia para leigos ofertado pela Diocese de Garanhuns - PE. Membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Águas Belas - PE. É ancora no programa Radar IGS na Rádio Ação 98,5 fm que vai ao ar todos os sábados a partir das 10horas.  

Fonte: Ildebrando Gutemberg


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