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A Greve em Águas Belas: Apoio da população, comércio e reações da Prefeitura marcaram esses dias

Publicado dia 28/05/2018 às 23h16min | Atualizado dia 28/05/2018 às 23h25min
Após o 8º dia da greve que tem provocado grande repercussão por todo o país, estivemos fazendo um levantamento com diferentes setores da sociedade de Águas Belas para observar quais os impactos que a cidade tem sofrido e como tem reagido a população.

Nesta segunda-feira (28/050 o dia foi marcado por um tempo carregado, não só das nuvens que marcaram o dia com leves pancadas de chuva, mas também pelo clima que tem pautado a opinião pública brasileira nos últimos dias: a Greve dos Caminhoneiros. Com grande apoio popular, causado pela insatisfação da elevação constante de preços dos combustíveis, somado a casos gritantes de corrupção envolvendo o Legislativo e até mesmo o presidente da República, movimento segue com força, com aumento de pauta de reivindicação e solidariedade pelos diferentes estados e até mesmo nos diferentes espaços do município.

                                                          

Águas Belas, apesar de possuir alguns fatores que causam vantagens sobre os impactos que a Greve tem provocado, se comparado com cidades de grande porte como Caruaru ou Recife. Na cidade, quase o total daquilo que abastece o mercado consumidor com víveres, advém do espaço rural do município. Feijão, frutas, verduras e legumes em parte considerável, são produzidos nas “Serras” ou nos assentamentos da reforma agrária. Contudo, mesmo assim, muitos comerciantes de várias cidades vendem suas mercadorias na famosa feira livre águas-belense, e nesta segunda-feira (28), foi visível a ausência, deixando grandes lacunas nas ruas antes ocupadas por “bancas de feiras” (as barracas), hoje sem mercadorias e sem vendedores, como é possível notar nas fotos a seguir:

Visível ausência das famosas "bancas de verduras", alavancaram os preços 

 

Diminuição de fluxo de veículos foi outra marca do dia

Fotos: Ildebrando Gutemberg

No Mercado Público Municipal, o clima foi um pouco diferente, apesar do aumento no preço das carnes, batata, tomate e cenoura, outros alimentos permaneceram estáveis. O movimento de pessoas e capital, não sofreu grandes alterações, segundo o comerciante Reginaldo Mendes: “Pra gente que trabalha aqui no Mercado, pensei que a Feira (livre) iria ser pior, mas levando em conta a média das feiras, esta segunda tem sido razoável”, afirmou.

Comerciante do Mercado Público de Águas Belas: "(...) pensei que a Feira (livre) iria ser pior, mas levando em conta a média das feiras, esta segunda (28) tem sido razoável”

Foto: Ildebrando Gutemberg

 

Nos postos de combustível, não se encontra gasolina, álcool e diesel desde o último domingo (27), e neste início de semana, donos de veículos já começam a sentir também este impacto, diminuindo o fluxo nas ruas da cidade. Estivemos na Liquigás, empresa reconhecida por ser uma das maiores fornecedoras de água mineral e gás de cozinha na cidade; lá, seus estoques de gás já tinha zerado, e a água começa a diminuir de forma acelerada. Apesar de sofrer grandes alterações nos serviços públicos, o prefeito do município, Luiz Aroldo, publicou um Decreto de Emergência (Decreto 0020/2018) e recorreu à Justiça, conseguindo uma liminar para garantir o abastecimento de parte da frota e a continuação de serviços básicos para a população local.

 

O espaço Rural

No espaço rural, o grande problema é a questão da produção do leite, onde desde pequenos a grandes produtores, e até mesmo a influente Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares do Vale do Ipanema – COOPANEMA, enfrentam dificuldades para escoar a produção. Para o agricultor e pecuarista, José Aparecido Rodrigues Muricy da Fazenda Santa Rita, a saída tem sido recorrer ao varejo, vendo o leite na cidade, mas mesmo assim tem tido perdas: “Ainda não fiz o cálculo do prejuízo nesses oito dias. Mas tenho feito algumas coisas, como diminuir o farelo que damos as vacas para que elas diminuam a produção de leite. Estou trazendo leite para a cidade para vender a R$ 1,00, menos do que eu vendo lá para o carro que é a R$ 1,18, mas mesmo assim não vende direito, sempre trago uma quantidade de leite mais apuramos menos. Trouxe 300 litros agora a tarde, e apurei 200 reais”.

 

A população

Na cidade, de forma geral, a Greve tem tido grande apoio, principalmente pela reclamação que já era recorrente em redes sociais, onde vários comentários afirmavam existir um ajustes de preços combinados entre os postos de combustíveis, resultando em uma gasolina em média 50, 60 e até 70 centavos mais cara que em Garanhuns. E desde a última quarta-feira (23), quando a Greve dos Caminhoneiros tomou maior projeção nacionalmente, houve bloqueio também na BR 423, próximo a entrada da cidade, e vários munícipes estiveram participando desde então, com grande participação da Associação do Transporte Alternativo de Passageiros de Águas Belas – ATAAB, e o apoio de comerciantes que forneceram logística para aqueles(as) que participaram. E na noite desta segunda (28) reuniu-se alguns cidadãos do município no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais – STR para construir uma pauta de reivindicações de caráter mais local exigindo alguns pontos a nível de município, estadual e nacional, como: mais políticas públicas para as mulheres e para os agricultores, relação do crédito para produtores rurais, melhoramento na política de preços do leite na região, política de atendimento dos bancos no município, relação de preços do combustível praticada por postos da cidade, melhoramento das rodovias estaduais, reforma política, entre outras.

"Banca de Feira"

Foto: Ildebrando Gutemberg

 

Fonte: Ildebrando Gutemberg


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