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Agreste Pernambucano um atrativo para os Laticínios

Publicado dia 31/01/2022 às 14h42min | Atualizado dia 11/03/2022 às 01h02min
Leite/Pernambuco - A produção de leite do Agreste de Pernambuco, que representa mais de 70% da produção do Estado, tem apresentado uma escalada ascendente desde 2018.

Essa expansão tem trazido preocupações ao escoamento e a remuneração da produção.

O perímetro da bacia leiteira, além de vocação, não tem zoneamento para competir com atividades agrícolas como produção de grãos, frutas, enfim. É nítido, ao percorrer as fazendas, sejam elas pequenas ou grandes, verificar a excelente qualidade do material genético bovino e a recuperação dos palmais, que foram dizimados, sobretudo após 2011, pela incidência da cochonilha do carmim, e estão sendo ampliadas as áreas de cultivos, anos após ano, com materiais genéticos resistentes a pragas e com alto potencial produtivo.  

Uma boa parte do perímetro produtivo destina a produção do leite ao queijo de coalho artesanal, e faz com que Pernambuco seja o maior produtor e consumidor per capita do queijo coalho no País. Porém, além do efeito de retração no poder de compra ao longo de 2021, o alargamento da produção tem gerado algumas dificuldades para algumas categorias de produtos lácteos, dentre elas o queijo coalho, que já tem o consumo muito elevado e não consegue dar fluidez. Existe um limite de consumo e ainda que a economia pernambucana expresse reação relevante na elasticidade de renda, haveria maior expansão no consumo em outras categorias de lácteos e não na mesma proporção para o queijo coalho que já é muito alavancado.  

A outra parte do perímetro da bacia leiteira, comercializa o leite a granel para as indústrias que têm um papel essencial, mas já estão no limite de sua capacidade fabril, trazendo um ponto de atenção na expansão da produção do leite que deverá seguir com acréscimo nos próximos períodos. Categorias de lácteos com maior shelf life, como leite em pó, que no Nordeste responde por mais de 50% do consumo nacional, pode ser uma das alternativas a longo prazo para o setor, que precisaria de atratividade para novo parque fabril. Para a indústria que necessita de maior volume para operação, duas coisas são essenciais: escala de produção e preços competitivos. Em reunião virtual com a cadeia produtiva realizada ontem (20/Jan/2022), apresentação em anexo, é possível visualizar a ampliação da produção ao longo dos anos, e a depressão na capacidade de remuneração do queijo coalho, equivalente R$/litro, em relação aos preços do leite CEPEA BR, valores anualizados nominalmente, para tirar o efeito da sazonalidade da produção, indicam que os preços do CEPEA BR de 2021, foram cerca de 36% superiores em relação a remuneração ao produtor pelo queijo coalho.

Veja o relatório elaborado por Merinaldo Bezerra:

 

 

 

 

 

 

 

Acesse aqui o relatório completo - Produção de Leite no Agreste Pernambucano 

Fonte: Terra Viva