Opinião

Uma lenda nordestina: 32 anos da morte do Rei do Baião: Luiz Gonzaga

Publicado dia 02/08/2021 às 22h08min | Atualizado dia 08/08/2021 às 12h35min
O homem que com a destreza de interpretar sua terra, levou ao mundo sua história, anunciou e denunciou o sertão

Uma das figuras mais emblemáticas da música brasileira na minha opinião é sem via de dúvidas, Luiz Gonzaga. Sertanejo da cidade de Exu, Pernambuco, onde tive o prazer de visitar algumas vezes, Gonzagão é um dos homens que podemos dizer que marcou a história da arte, música e cultura de forma definitiva.

Suas músicas e/ou suas interpretações dão um tom único ao sertão, trazendo à tona aquilo que sempre esteve ali, mais poucos viam com olhos de quem ver. Esta região de contrastes: rica e pobre, bela e áspera, veja “Asa Branca” sua principal canção, “luar do sertão”, é a terra marcada pela força de um povo, que persiste, mas as vezes tomba pelas injustiças de um país desigual, como é possível ver na música “Triste partida”.

Outro fator marcante na obra de Gonzaga é a sua apresentação de aspectos geográficos, onde na música “Riacho do Navio” ele descreve a bacia hidrográfica do Pajeú. Soma-se a isso um homem à frente de seu tempo, onde aborda a temática ambiental de maneira direta e com crítica a violência, onde apresenta o problema da poluição em um aspecto mais amplo, escute “Xote ecológico”.

As relações comerciais de sua terra também estão presentes e devidamente descritas como “Feira de Caruaru”. Não poderia deixar de citar as parcerias históricas que ajudaram a forjar essa obra: Humberto Texeira, Onildo Almeida, Zé Dantas e Patativa do Assaré, são alguns dos nomes.  

Por tudo isso, Luiz Gonzaga é um ícone, um imortal. Homem que escreveu seu nome na história, por fazer de sua história, uma eterna canção.

Fonte: Ildebrando Gutemberg/Redação - IGS Web