Opinião

O que podemos fazer em Águas Belas para diminuir danos em caso de enchente?

Publicado dia 25/01/2022 às 03h15min | Atualizado dia 25/01/2022 às 03h34min
Com enchentes em Pesqueira, chuva de granizo em Venturosa a poucos dias e o histórico de enchentes que causaram prejuízos a cidade, se faz necessário repensar algumas coisas, leia:

Em Águas Belas, assim como em todo o País é “normal” pensar apenas depois que os problemas acontecem, e este que vamos relatar na matéria já ocorreu algumas vezes e pode reincidir em breve. A questão das enchentes na cidade não é algo muito frequente, no entanto, também não é algo raro. Basta lembrar que nos anos de 2008 e 2010, ocorreram vários estragos por conta de enchentes que ocasionaram danos severos no comércio e residências da cidade.

 

O tema é amplo e complexo, o que exigiria diversos artigos, no entanto, vamos abordar aqui pontos que possam nortear tomadas de decisões individuais para diminuir possíveis impactos. Entre estas, por exemplo, o Poder Público pode e deve realizar a limpeza dos cursos d'água, logicamente, mas é necessário também que a população tome para si a ideia de que a limpeza pública depende em muito de sua contribuição, do fazer coletivo. Não jogar lixo nos cursos de água ou no espaço urbano, descartando de forma irregular, é uma dessas atitudes que devem ser tomadas.

 

Alguma mudança nesta perspectiva já é possível ser visualizada na conhecida “Ribeira”, que separa o bairro do Centro ao de São Sebastião, há alguns anos era possível notar um maior assoreamento e o acúmulo de lixo, principalmente de garrafas pets e derivados. Hoje, diminuiu o número de resíduos sólidos possíveis de visualizar, bem como, a Prefeitura tem realizado limpezas periódicas que incluir retirada de sedimentos (lama) do curso d’água em questão.

Imagens da Ribeira no divisa entre os bairros Centro e São Sebastião, e do perímetro urbano com a Aldeia Fulni-ô

Fotos: Ildebrando Gutemberg

Ainda no quesito de desobstruir os cursos d’água, é necessário lembrar e fazer um apelo a todos os proprietários de terrenos que fiquem a margem ou mesmo dentro de ribeiras e riachos que promovam uma manutenção, com uma limpeza para desobstrução da via, bem como, se possível, obras de reparação, haja visto que parte considerável dos cursos d’água foram parcialmente ou até totalmente interditados com construções irregulares sem respeito nenhum para com a natureza.

 

E estas construções se seguem, por exemplo, estivemos visitando o local conhecido como “Olho d’água” que fica entre o bairro São Sebastião e o Colégio Municipal, ali foi possível observar o avanço irrestrito e construções no espaço que antes era ocupado por uma lagoa, e também faz parte da Ribeira, onde a força da água tem grande intensidade quando chove. Este local, na primeira chuva de razoável intensidade, com certeza será um dos mais atingidos.

 

Na imagem registrada na tarde desta segunda-feira (24/01) é possível observar que as chuvas nem começaram e já pode ser visto o quanto as construções avançaram sobre o corpo d’água ali existente ainda que de forma periódica.

 

Construções no "Olho d'água"

Fotos: Ildebrando Gutemberg

Para as construções além da ausência de bom senso, também existe a falta de leis e/ou fiscalizações do governo para nortear e até barra tais empreendimentos, além do histórico conflito entre terra indígena e “patrimônio”, que por si só traz seus impactos no ordenamento urbano.

 

Vista panorâmica de parte da cidade

Fotos: Ildebrando Gutemberg

Fonte: Ildebrando Gutemberg / Redação - IGS Web